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Endividamento recorde: como sair das dívidas?

Educação financeira passa pelo comportamento e na relação com o dinheiro, diz especialista

Redação Pitoco04 de maio de 2026
Endividamento recorde: como sair das dívidas?

O Brasil acaba de registrar novo recorde de endividamento: 80,4% das famílias estão endividadas, sendo que 29,6% já estão com contas atrasadas. Nesse cenário, falar sobre dinheiro deixou de ser apenas um tema econômico e passou a ser também uma questão comportamental. Para a educadora financeira Márcia Bedin, compreender a relação emocional com o dinheiro é o primeiro passo para organizar a vida financeira.

Ex-jornalista, Márcia conta que sua entrada no universo da educação financeira nasceu de experiência pessoal. Apesar de ter uma boa renda, ela percebeu que não conseguia equilibrar as contas: “Eu gastava mais do que ganhava. A gente até sabe que precisa gastar menos, mas como fazer isso? Foi quando comecei a buscar conhecimento”.

Ao descobrir que poderia sair das dívidas e até começar a investir, veio o questionamento que mudaria sua trajetória profissional. “Eu pensei: como as pessoas não sabem disso? Se eu tivesse aprendido isso na infância, quantas escolhas eu teria feito diferente?”

A partir de então, Márcia passou a atuar no mercado financeiro e buscou especialização em economia comportamental para compreender melhor como as pessoas tomam decisões relacionadas ao dinheiro. “Educação financeira vai muito além de contas e planilhas. Ela passa pelo comportamento e pela forma como cada pessoa se relaciona com o dinheiro.”

ENDIVIDAMENTO

O “analfabetismo” financeiro se explica em números. “Hoje nós temos cerca de 82 milhões de brasileiros inadimplentes”, afirma Márcia, que contextualiza: “Existe a dívida boa, que é aquela feita com planejamento e que pode trazer retorno. O problema é a inadimplência. São pessoas que não conseguem pagar água, luz ou despesas básicas da casa. Isso é preocupante.”

O que fazer? Pequenos gastos e controle do orçamento

Para reorganizar a vida financeira, Márcia Bedin recomenda começar pelo básico: observar para onde o dinheiro está indo. Porém, ela alerta que apenas anotar gastos não resolve o problema. “Não adianta anotar por anotar. É preciso olhar para o que foi gasto e se perguntar: ‘o que eu posso fazer de diferente a partir daqui? Quando isso vai mudar?’”

É comum a pessoa se preocupar com as grandes despesas, mas os pequenos gastos recorrentes podem ter grande impacto no orçamento. Assinaturas esquecidas, serviços pouco utilizados ou compras automáticas no cartão de crédito são exemplos comuns. “São 20 reais aqui, 50 ali... E, quando você começa a fechar esses pequenos buracos, percebe que pode dar um novo destino para esse dinheiro”, orienta Márcia. Outro ponto importante é começar a investir, mesmo que com valores pequenos. “Muita gente pensa que precisa ter mil ou 50 mil reais para investir. Não precisa! Comece com 10 ou 20 reais. O importante é mostrar para o seu cérebro que é possível fazer algo diferente com o dinheiro.”

EM CASA

Uma das maneiras mais eficazes de transformar a cultura do endividamento é ensinar crianças desde cedo a lidar com dinheiro. “Crianças a partir de sete anos já podem começar a ter consciência dos gastos do dia a dia”, afirma a educadora financeira Márcia Bedin.

Ela sugere incluir os filhos em pequenas tarefas, como ajudar na lista de compras ou acompanhar os gastos no mercado, para entender que tudo tem valor, e a administrar a própria mesada.

  • Empresas reduzem crediário para evitar mais perdas

Embora com uma situação um pouco menos grave que o cenário nacional, as empresas do comércio e da indústria do Oeste do Paraná também estão vendo a inadimplência crescer.

Em março deste ano, o número de pessoas inadimplentes na área de atuação da Caciopar cresceu 8,18% em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da alta, o índice regional segue abaixo das médias registradas no Sul (9,25%) e no Brasil (9,54%).

Segundo o presidente da Caciopar, Reni Fernande, a situação é crítica, especialmente às vésperas o Dia das Mães, uma das melhores datas comerciais, e está diretamente relacionada ao cenário econômico do País.

Para tentar se proteger, os empresários reduziram o crediário e têm concentrado suas vendas no cartão de crédito. Outra medida adotada é orientar o uso dos serviços disponíveis nas Associações Comerciais para fazer a cobrança e tentar regularizar as dívidas. “É uma situação difícil. Não vemos solução de curto prazo”, admite.

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