Acena lembra um resort de luxo: camas box king size, salmão no cardápio, carta de vinhos com rótulos como Angélica Zapata, Chandon no frigobar, som ambiente com 14 mil músicas, fragrância ambiente acolhedora e até máquina de ozônio para garantir a desinfecção total das suítes. Não, o cenário não é um hotel cinco estrelas. É um dos motéis mais tradicionais de Cascavel, o Fascínio, um dos três empreendimentos administrados por Larissa Cogo Berto na cidade.
Há 20 anos no ramo, Larissa é protagonista de uma silenciosa e profunda revolução no setor de hospitalidade para curta permanência. “Nosso foco hoje são os casais com relacionamento estável, fugindo totalmente do que as pessoas imaginam de que motel é um local para se trair”, afirma. “O motel é um local para sair da rotina de casa e viver uma experiência inesquecível. Para isso, pensamos em mil detalhes...”
A declaração da empresária, que também administra os motéis Sedución e Blue Inn, resume a mudança de comportamento que atinge o setor em todo o País percebida pela própria Associação Brasileira de Motéis (AB Motéis), Carla Hachmann que realizou uma pesquisa e descobriu que o público majoritário dos estabelecimentos passou a ser o de casais em relacionamento estável, representando cerca de 95% da frequência. “O motel é aliado para que o casal não caia na rotina. É uma opção fantástica, porque você está perto de casa, não precisa pegar a estrada nem perde o dia de trabalho.”
IMPACTOS (IN)VISÍVEIS
A transformação do setor exige conhecimento, bom gosto e, claro, muito investimento. Antes mesmo de os olhos se acostumarem à iluminação da suíte, há um detalhe que todos sentem: o cheiro do ambiente. Ao contrário do imaginário popular, que ainda associa motéis a odores de mofo, produtos químicos agressivos ou tentativas frustradas de disfarçar resquícios de ocupações anteriores, o hóspede que entra em uma das unidades reformadas por Larissa é recebido por um perfume suave, intencional e acolhedor.
Esse cuidado é parte da estratégia de “hotelização” dos motéis. “A gente pensa em tudo: da presilha de cabelo que a mulher pode usar até o cheiro do quarto”, resume Larissa. “É um cuidado invisível, mas que faz toda a diferença na experiência.”
Larissa revela um dado interessante sobre os bastidores do motel: a limpeza das suítes é feita com produtos da marca Diversay - os mesmos utilizados em hospitais - e há máquinas de ozônio que eliminam 99% dos germes e neutralizam odores sem mascarar. “Cheirar a nada” ou “cheirar bem”, nesse contexto, é o maior dos luxos.
“MIL DETALHES”
Como resume Larissa, são “mil detalhes” para serem pensados. Com a proposta de oferecer uma hospedagem confortável e experiência única, os quartos são dotados de diversos “detalhes”, que vão desde kits de higiene de marcas tradicionais, dispensers com xampu e condicionador de boa qualidade, até jogos de taças para que os hóspedes realmente relaxem e curtam o momento.
Do “motel de esquina” à experiência completa
A transformação dos motéis é física, tecnológica e gastronômica. Enquanto motéis antigos fecham as portas, os que sobrevivem e crescem são aqueles que abraçaram o que Larissa Cogo Berto chama de “nova motelaria”.
“Todo o mundo evoluiu em suas casas. A pessoa tem Smart TV, robô aspirador, ar-condicionado... Por que ela vai sair da própria casa para ir a um lugar inferior?”, questiona. “Os motéis que estão fechando são os que não seguiram esse caminho de investimento e modernização.”
No Blue Inn, por exemplo, o investimento em andamento é aplicado na modernização de suítes, troca de camas de courino por camas box, instalação de pisos vinílicos para conforto térmico e acústico, além da reforma da fachada e da criação de novas unidades com espelhos orgânicos e sistema de som iSound. “A gente preza pela experiência do hóspede. Ele vem ao motel e tem uma experiência completa: gastronomia, vinho, um bom banho, cama confortável, Smart TV, Wi- -Fi de qualidade”, enumera. “Não é só para o ato. É para depois poder assistir a uma série, conversar, dormir bem...”, diz Larissa.
Outro movimento crescente é o de eventos, segundo Larissa. Suítes com piscina hoje sediam chá de lingerie, despedida de solteiro, festa junina e até “noite do skincare” entre amigas. “As pessoas estão perdendo o preconceito e descobrindo que o motel é um local onde se pode fazer absolutamente de tudo.”
Cascavel no mapa da nova motelaria nacional
A empresária Larissa Cogo Berto revela que o Blue Inn é fruto de uma sociedade com outros quatro investidores de grandes centros - Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Porto Alegre -, que escolheram Cascavel para expandir o negócio. O grupo já possui empreendimentos em Goiânia e planeja investir no Brasil inteiro. Por ora, Cascavel conta com 13 motéis em operação - incluindo os três de Larissa, que são responsáveis por 82 leitos.
O FUTURO CHEGOU
Ao final do tour pelas suítes reformadas, Larissa Cogo Berto resume sua filosofia de gestão: “Motel é composto de um milhão de detalhes. E a gente não para de investir. Se parar, perde o conforto e o cliente.”
Com Smart TV em todos os quartos, cardápio com salmão, champanhe, bomba de calor para garantir água quente de qualidade, gerador para energia elétrica, perfume de boas-vindas e um investimento milionário, a empresária mostra que a “nova era dos motéis” é uma realidade sensorial, em pleno funcionamento, de portas fechadas (e garagem privativa), em constante crescimento.





