Para além do 8 de março: evento orienta sobre a violência doméstica e reforça canais de denúncia em Cascavel
Ação realizada no Catuaí Cascavel aproximou serviços públicos e instituições parceiras para orientar mulheres sobre direitos, acolhimento e canais de denúncia à violência
Dados do Senado Federal, reunidos no Mapa Nacional da Violência de Gênero, indicam que, em 2025, o Brasil registrou cerca de quatro feminicídios por dia. No mesmo período, 58% das mulheres em situação de violência não buscaram atendimento em delegacias. Já em 2023, foram contabilizados mais de 500 mil registros de violência doméstica e a projeção até 2026 aponta que sete em cada dez vítimas não solicitaram medidas protetivas.
“Não é sobre as flores”
Março é, mundialmente, marcado como o Mês da Mulher. Contudo, “ser mulher não significa somente ganhar flores no dia 8”, explica Solange Conterno, coordenadora do Núcleo Maria da Penha. Para a responsável pelo projeto de extensão dos cursos de Direito e Pedagogia da Unioeste, “não conseguimos discutir o que é ser mulher no Brasil sem discutir ‘proteção’”.
A violência é crime. E, para diversas mulheres que trabalham com segurança pública, ensinar os direitos daquelas que são celebradas no mês de março é essencial. Géssica Mimo do Nascimento, membro da Patrulha Maria da Penha, da Guarda Municipal, explica que “a violência não é apenas física”.
A Lei Maria da Penha define 5 formas de violência:
Violência Física: caracterizada por agressões que afetam a integridade ou saúde corporal da mulher;
Violência Psicológica: danos emocionais, manipulação e ameaças. São exemplos: xingamentos e humilhação, críticas contínuas, invasão de privacidade, chantagens, controle;
Violência Patrimonial: é definida como a retenção, o roubo ou a destruição de bens, recursos econômicos, instrumentos de trabalho e documentos;
Violência Moral: ações que ferem a imagem pública da vítima, exposições, calúnia, xingamentos, difamação;
Violência Sexual: ocorre quando são realizadas atividades de natureza sexual sem o consentimento da vítima, utilizando intimidação ou força.
Para Gislaine Rodrigues, da Comissão de Mulheres Advogadas da OAB, “muitas mulheres não conseguem sair de situações de violência por dependerem financeiramente do seu parceiro, por não terem rede de apoio”. A orientação, nesses casos, passa por conhecer os serviços disponíveis e buscar acolhimento ainda nos primeiros sinais, antes que a violência evolua.
Mulheres em Ação
Para reforçar que a vítima tem, sim, onde buscar apoio, o Conselho Comunitário de Segurança de Cascavel (CONSEG), por meio do Conseg Mulher, organizou no dia 5 de março, no Catuaí Shopping Cascavel, a iniciativa “Mulheres em Ação”. A proposta foi conscientizar os visitantes sobre os caminhos de acolhimento e proteção disponíveis no município e mostrar, na prática, que há uma rede preparada para orientar, abrigar e apoiar vítimas de violência.
“É essencial divulgar essas informações para a maior quantidade de mulheres possível. Escolhemos promover essa ação em um local com bastante movimento e visibilidade e, para isso, o Shopping é perfeito”, explica Danieli Sanderson, do Conseg Mulher. Ela reforça que o foco foi dar visibilidade ao tema e aos caminhos de ajuda: “nós estamos trazendo informações referentes a qualquer tipo de violência, seja doméstica, assédios, violência moral ou física”.
Durante o evento, instituições da rede pública e parceiros estiveram disponíveis para orientações jurídicas, explicação de procedimentos para registro de ocorrência e medidas protetivas, e informações sobre como buscar ajuda. A programação também apresentou caminhos de autonomia e recomeço, com encaminhamentos e iniciativas de empregabilidade e qualificação profissional.
A ação também deu visibilidade ao trabalho da assistência social. Dyeniffer Bezerra, psicóloga do Abrigo de Mulheres Vanusa Covatti, explicou que o serviço é voltado a mulheres em situação de violência doméstica ou familiar, oferecendo acolhimento provisório também para filhos e dependentes. “Caso a mulher esteja em situação de risco ou ameaça de morte, ela pode procurar qualquer serviço da segurança pública, CRAS e UBS pedindo ajuda, e pode ser encaminhada para o abrigo”, afirma. Segundo a psicóloga, o serviço vai além: “a gente ajuda com a questão de procurar trabalho, encaminhamento para Defensoria Pública… Prestamos esse auxílio para a mulher conseguir se organizar após a situação de violência”.
Onde buscar ajuda em Cascavel (contatos e serviços):
- Delegacia da Mulher – (45) 3222-3298
- Central de Atendimento à Mulher – 180 / 181
- Polícia Civil – 197
- Polícia Militar (190) – inclui atendimento emergencial e ações do Programa Patrulha Maria da Penha da PM
- Guarda Municipal de Cascavel (153) – inclui o Programa Patrulha Maria da Penha da GCM
- Defensoria Pública – (45) 3224-1471 (orientação e assistência jurídica gratuita, quando cabível)
- Corpo de Bombeiros – 193
- SAMU – 192
- SESD – Secretaria Especializada de Cidadania / Secretaria da Proteção à Mulher e Políticas sobre Drogas, Programa Por Elas Cascavel, Programa Ser Humano, e CMDM – Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – (45) 98818-7486 (acolhimento e encaminhamentos na rede municipal)
- NUMAPE – Núcleo Maria da Penha (Unioeste) – (45) 3220-4255 | (45) 99155-1796 (acolhimento, orientação e apoio para acesso a direitos e à rede de proteção)
- CREAS Sul – (45) 3902-1750 (atendimento especializado da assistência social)
- CREAS Leste – (45) 3902-1766 | (45) 3902-1420 (atendimento especializado da assistência social)
- CREAS Oeste – (45) 3902-1736 (atendimento especializado da assistência social)
- Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família – nos bairros e distritos do município (porta de entrada para acolhimento, escuta qualificada, notificação e encaminhamentos)
- CRAS – Centros de Referência de Assistência Social – nos bairros e distritos do município (orientação, acesso a benefícios e encaminhamentos na rede)
“Queremos que todas saibam que não estão sozinhas. Se procurarem ajuda, estamos aqui”, afirma Solange Conterno, do NUMAPE. A rede de apoio à vítima de violência doméstica de Cascavel reúne atendimento de urgência, suporte legal, acolhimento psicossocial e encaminhamentos para reconstrução de autonomia, inclusive com oportunidades de qualificação e acesso à proteção, quando necessário. Em qualquer sinal de violência, a orientação é não esperar a situação se agravar. Procure ajuda. Denuncie.