Marginal da BR 277, região do Autódromo. Vans amarelas manobram freneticamente às vésperas de uma das datas comerciais mais relevantes do ano: o Dia das Mães. Trata-se do centro de distribuição (CD) do Mercado Livre, CNPJ tipicamente “mercosulino”, nascido na Argentina, com sede no Uruguai, cuja massa majoritária de consumidores está no Brasil.
O barracão do Mercado Livre em Cascavel com seus quase 8 mil metros quadrados não chega a impressionar. Afinal suas dimensões representam menos de 10% do CD da empresa em Cajamar (SP), e seus 100 mil metros de área.
O que impressiona mesmo é a presença de “los hermanos” aqui “no interior do interior” e a capilaridade da operação. Já são mais de 20 CDs em território nacional. Não foi à toa que a revista “Time” incluiu a empresa entre as 100 mais influentes do planeta.
BOTÕES DO CELULAR
A frota de vans amarelas circulando pela Avenida Brasil faz a alegria do consumidor ansioso que apertou alguns botões na tela do celular e aguarda um badulaque eletrônico adquirido com desconto e frete zero.
Na outra ponta, as vorazes vans apavoram o comerciante local que busca um caminho capaz de conter perdas para as gigantescas plataformas de e-commerce. O fechamento recente, da loja BIG, na Carlos de Carvalho com Avenida Brasil levou empresários do entorno a especular: É mais uma loja tradicional de rua que não suportou o cerco das amarelas?
Talvez seja exagerado cravar assim. A mesma marca tem outras unidades na cidade, incluindo uma no Catuaí, e deixou uma faixa avisando que retorna em breve para a região. Mas todo portão que desce envia um sinal: aluguéis como aquele da BIG, que orbitam em torno de R$ 50 mil, associados ao cenário nacional de Selic nas alturas e dinheiro caro, torna a competição com as grandalhonas do e-commerce ainda mais complexa.
“RELACIONAMENTO”
Ouvido sobre o cerco dos “mercolinos” do Mercado Livre, chineses da Shopee e americanos da Amazon aos comerciantes da cidade, o presidente do Sindilojas, Alci Rotta Junior, reconhece uma mudança – talvez irreversível – das novas gerações em direção às compras online, mas põe um contraponto:
“Comprar no nosso comércio é injetar dinheiro na economia local, é disponibilidade imediata do produto, emprego e renda aqui”, disse Alci em recado aos consumidores. Aos lojistas ele recomenda uma aposta no relacionamento com os clientes, olho no olho, no corpo a corpo. “Também temos nossos diferenciais, precisamos potencializá-los”, disse o líder empresarial.
PITACO DO PITOCO
Onde há uma crise potencial, há também oportunidade. A demanda por barracões e CDs no entroncamento rodoviário de Cascavel é latente, grandes marcas nacionais e internacionais já estão em nosso entorno e outras chegando.
Empreendedores como Jadir Saraiva de Rezende enxergaram a possibilidade. Ele acaba de lançar um condomínio logístico ao lado aeroporto a pouco mais de R$ 900 o metro quadrado. Varejistas locais também desenvolvem e aperfeiçoam plataformas para vendas online.
Trata-se de uma variante da máxima: “não pode com o inimigo, alie-se a ele”, ou “copie e cole”, na hipótese que isso seja possível.





