Nem sempre uma criança consegue perceber ou explicar que está enxergando mal. Muitas vezes, as alterações visuais passam despercebidas pela família e só são identificadas durante uma consulta oftalmológica. Em Cascavel, uma campanha de saúde ocular infantil revelou a importância do acompanhamento preventivo: das 161 crianças avaliadas pelo Hospital de Olhos, 30 receberam indicação para uso de óculos, o equivalente a quase 20% dos atendimentos.
Os resultados fazem parte da campanha De Olho nos Olhinhos, realizada nos dias 18 e 25 de setembro e 2 e 9 de outubro. A iniciativa registrou 240 agendamentos e atendeu crianças de zero a oito anos, com o objetivo de conscientizar as famílias sobre o diagnóstico precoce do retinoblastoma, um tipo de câncer ocular que afeta principalmente crianças pequenas.
Segundo a oftalmologista Dra. Ameline Nishizima, do Hospital de Olhos, as alterações refrativas, conhecidas como ametropias, foram os problemas mais frequentes durante as avaliações. Entre elas estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, condições que podem comprometer o desenvolvimento visual quando não identificadas e corrigidas adequadamente.
“Durante os atendimentos, identificamos 30 crianças com indicação para o uso de óculos e um caso de glaucoma congênito, que encaminhamos a um serviço de referência. O número de crianças avaliadas superou nossas expectativas e mostrou a importância de oferecer essas oportunidades às famílias”, destaca a médica.
Diagnóstico precoce pode preservar a visão
Embora o retinoblastoma seja considerado raro, trata-se do tumor maligno intraocular mais comum na infância. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a doença apresenta ocorrência estimada de um caso a cada 20 mil nascidos vivos. Quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada, as chances de cura podem ultrapassar 95%.
Entre os principais sinais de alerta estão o reflexo branco na pupila, especialmente em fotografias com flash, o estrabismo e outras alterações na aparência dos olhos.
Durante a campanha, a equipe médica também avaliou uma criança que já havia passado por tratamento contra o retinoblastoma e realiza acompanhamento especializado em São Paulo. O caso chamou a atenção pela diferença entre os resultados obtidos em cada olho. “Recebemos um paciente que teve o diagnóstico tardio de retinoblastoma em um dos olhos. No outro, após o tratamento, foi possível preservar a visão. Esse caso mostra como o diagnóstico precoce pode fazer diferença no sucesso do tratamento e na preservação da capacidade visual”, explica a Dra. Ameline.
A importância da primeira consulta
Entre as famílias que participaram da iniciativa está a da pequena Isadora Guerreiro Mazzuco, de dois anos e oito meses. A menina passou pela primeira avaliação oftalmológica acompanhada da mãe, a dona de casa Claudiane Aparecida Guerreiro.
Embora a consulta já estivesse prevista no acompanhamento de saúde da filha, a campanha foi uma oportunidade de antecipar esse cuidado. O exame não identificou alterações, trazendo alívio à família. “O atendimento foi muito bom, todos foram muito atenciosos. O que mais me chamou a atenção foi a quantidade de crianças com problemas de visão. Agradeço todos os dias pela visão da minha filha e vou continuar cuidando dos olhinhos dela”, conta Claudiane.
Quando levar a criança ao oftalmologista?
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) recomenda que o teste do olhinho seja realizado nas primeiras 72 horas de vida. Para crianças saudáveis, a orientação também prevê um exame oftalmológico completo entre seis e 12 meses de idade e uma nova avaliação entre três e cinco anos, preferencialmente aos três.
A Dra. Ameline ressalta que os exames devem fazer parte da rotina de cuidados, mesmo quando não há queixas ou sinais aparentes de dificuldade visual. “É importante que toda criança passe por uma avaliação oftalmológica completa entre seis e 12 meses de vida. Muitas alterações podem ser identificadas nessa fase, permitindo que o acompanhamento e, quando necessário, o tratamento comecem o quanto antes”, orienta.
Além das consultas periódicas, os pais devem ficar atentos a comportamentos como aproximar excessivamente objetos do rosto, dificuldade para acompanhar movimentos, desvio ocular e alterações no reflexo das pupilas.





