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Projeto desenvolvido pela Acesc busca infraestrutura mais humana e sustentável em capelas mortuárias

Redação Pitoco09 de junho de 2026
Cemitério vertical: novo conceito chega a Cascavel

Não há palavra certa, consolo fácil nem gesto que cure. Mas existe a possibilidade de um abraço indireto e acolhimento para que ninguém se sinta sozinho enquanto se despede de entes e amigos queridos. É isso o que está em construção em Cascavel.

A Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários (Acesc) vai transformar a arquitetura de um dos lugares mais sensíveis da cidade: o entorno das quatro capelas mortuárias centrais. Ali, onde a dor se estampa no rosto das pessoas, a arquitetura está “aprendendo” a ser mais humana.

Em meio ao luto e à fragilidade, um novo conceito de acolhimento começa a ganhar forma. A Acesc está tirando da gaveta o ousado projeto que promete transformar a área em frente às capelas em um boulevard coberto, um espaço híbrido entre átrio, jardim e sala de espera, pensado para oferecer dignidade e conforto às famílias nesses momentos tão difíceis.

A proposta, inspirada diretamente em uma diretriz do prefeito Renato Silva, coloca a empatia como alicerce. “Essa tem sido a nossa ordem: acolhimento e cuidado”, afirma Romulo Quintino, superintendente da Acesc. “E ainda mais num momento tão difícil como é quando as pessoas chegam aqui.”

RUA COBERTA

A grande aposta é a cobertura de cerca de 50 metros da Rua do Rosário em frente às capelas centrais, onde está a Praça Cristo Redentor. O objetivo é acolher melhor as famílias que, muitas vezes, permanecem até 24 horas seguidas em um velório. “A rua coberta vai significar uma solução meteorológica, pois todo o mundo fica abrigado, mas, principalmente, vai permitir que as famílias fiquem melhor instaladas”, explica Romulo. “Vamos criar uma nova ambientação, com flores, jardins e uma sala grande, confortável.”

O projeto arquitetônico já foi contratado e deve ser entregue até meados de junho. A previsão é que, após audiência pública - exigida por se tratar de uma via pública -, as obras tenham início. O investimento, estimado em R$ 1,3 milhão, virá de recursos próprios do Município.

Capelas renovadas: quando o luto encontra um lar

  • Paralelamente à cobertura da rua, a Acesc já iniciou a reforma das quatro capelas centrais. A ideia, segundo Romulo Quintino, é transformar cada espaço em “uma sala de casa”, com móveis confortáveis, iluminação aconchegante, revestimentos em gesso e detalhes em madeira. “A capela que começamos a reformar estava deplorável, uma vergonha”, admite o superintendente.

  • “Você ir para um ambiente desses no pior momento da vida... pelo menos um pouco de acalento faz diferença”, argumenta. O conceito busca romper a frieza institucional e criar um ambiente de acolhimento real, com tapetes, sofás e uma estética mais residencial.

  • A reforma inclui até a substituição da instalação elétrica e cabos de internet para velórios on-line. A estimativa são gastos de cerca de R$ 100 mil em cada capela, recursos próprios da Acesc. A obra está sendo executada pelo quadro de colaboradores da autarquia.

Cemitério vertical: novo conceito chega a Cascavel

Outro pilar da transformação anunciada por Romulo Quintino é o projeto do primeiro cemitério vertical de Cascavel. A previsão é deque os projetos arquitetônicos sejam apresentados no início do segundo semestre deste ano para que o financiamento da obra possa ser viabilizado na sequência.

O modelo, inspirado em experiências observadas no Rio Grande do Sul, utiliza tecnologia de encapsulamento individual das urnas. “É uma estrutura de concreto com galerias. Onde é colocada a urna, há um plástico especial”, descreve o superintendente. “Um cano puxa os gases da decomposição, outro empurra oxigênio. Não sai cheiro, não há risco de contaminação.”

Novo olhar sobre o serviço funerário

  • O conjunto das iniciativas (rua coberta, capelas reformadas, novas capelas no Bairro São Cristóvão, cemitério vertical e melhora na estrutura para atendimento da família na liberação do corpo) aponta para uma mudança significativa na forma como Cascavel trata o luto e o funeral.

  • Mais do que obras, trata-se de uma política pública de cuidado. “Quando aceitei vir para a Acesc, em agosto de 2025, foi por essa oportunidade de ajudar as pessoas no momento de fragilidade”, resume Romulo. “A equipe toda está envolvida nesse sentido.”

  • A expectativa é que, ainda em 2026, os primeiros resultados estejam visíveis à população. E que, em vez de pressa e desconforto, o que se ofereça seja um ambiente pensado para acolher.

O NÚMERO

320 a 340 óbitos por mês acontecem em Cascavel. Todos os corpos passam pela Acesc, seja de morte natural (doença) ou violenta (homicídio e acidentes). Praticamente todos são velados nas capelas da Acesc, que totalizam 24, incluindo as unidades nos distritos. Os velórios em casa não ocorrem mais. Cerca de 30 a 40 funerais sociais ocorrem todos os meses, e incluem caixão, velório e até o sepultamento.

FALOU & DISSE

  • “A morte é nada para nós, pois, quando existimos, a morte não está presente; e, quando a morte está presente, nós não existimos.” (Epicuro)

  • “Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.” (Fernando Pessoa)

  • “A morte é uma vida vivida. A vida é uma morte que vem." (Vinicius de Moraes)

  • “A morte sorri para todos; tudo o que um homem pode fazer é sorrir de volta.” (Marco Aurélio)

  • “Para a mente bem organizada, a morte é apenas a próxima grande aventura.” (J. K. Rowling)

  • “Só se morre uma vez; mas pode-se viver muitas.” (Oscar Wilde)

  • “Não tenho medo da morte. Só não quero estar lá quando acontecer.” (Woody Allen)

  • “A vida é uma doença sexualmente transmissível com taxa de mortalidade de 100%.” (R. D. Laing)

  • “Não leve a vida tão a sério. Você não vai sair vivo dela.” (Elbert Hubbard)

  • “Quero morrer dormindo como meu avô… não gritando como os passageiros do carro dele.” (Piada clássica popular)

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