O aniversário de 62 anos da Eucatur, celebrado no último dia 31 de março, fez a fundadora da empresa, Nair Gurgacz, visitar reminiscências e calibrar a memória naquele outono distante. Na missa realizada na sede da empresa, ela relatou em detalhes o nascimento da empresa. “Era final da tarde. O Assis chegou em casa satisfeito e disse: - Nair, comprei um ônibus”.
Então ela foi olhar a relíquia estacionada em frente à residência. “Cheguei lá fora e desanimei. Era um ônibus amarelo, com a carroceria partida na traseira e uma fresta aberta no teto. Fiquei pensando: o que esse homem vai fazer com esse ônibus? Não falei nada, mas voltei para casa quase chorando”.
Tratava-se de um Mercedes antigo que levaria o número 01. Caberia ao “busão” fazer a linha de 20 quilômetros entre o distrito de Santa Tereza do Oeste e Cascavel. Hoje a frota tem estimados 500 ônibus que operam 220 destinos em 16 Estados.
Ao comentar o depoimento de Nair, Assis Gurgacz acrescentou outros perrengues do ônibus 01. Não havia suporte no pneu traseiro, de forma que a lama e a poeira entravam por ali. Nair, mesmo inicialmente assustada, abraçou a causa e passou a cuidar da limpeza do 01, bem como cozinhar para a equipe pioneira. Na missa dos 62 anos, o primeiro cobrador estava presente. Afonso Pencal relatou à CATVE que o busão fazia duas viagens por semana a Santa Tereza, algumas delas com os pneus acorrentados para enfrentar os trechos enlameados.
VACAS NO BUSÃO
Assis Gurgacz queria o ônibus, mas não tinha dinheiro. “Naquela época eu tava trocando seis por meia dúzia”, relata. “Então fiz uma proposta ao Sebastião Agostini, ofereci uma posse com seis cabeças de gado no Guavirá e fechamos negócio”. Agostini era morador do distrito de Santa Tereza e Guavirá é uma comunidade rural na divisa com Cascavel.
Uma curiosidade histórica: 31 de março de 1964, nascimento da Eucatur, é a data divulgada nos livros escolares como marco da “Revolução de 1964”.
Na verdade, o golpe militar que instituiu uma ditadura no Brasil se consumou mesmo no dia 1º de abril, quando o então presidente João Goulart de fato foi deposto pelos militares, abrigando-se no Rio Grande do Sul e depois partindo para o exílio no Uruguai.
Mas como o 1º de abril é o “Dia da Mentira”, os militares mentiram sobre a data, puxando o evento para 31 de março.





