A eletrificação da frota automobilística, que até pouco tempo era tratada como tendência de futuro, já começa a redesenhar negócios no presente, e não apenas no setor automotivo. No Oeste do Paraná, um grupo empresarial de Nova Aurora transformou a expansão dos carros elétricos em uma cadeia de serviços que une geração de energia solar, instalação de carregadores e locação de veículos para motoristas de aplicativo.
O movimento é puxado pela Bioelectric, empresa sob o amplo guarda-chuva da Bionova, que passou a operar com a locação de carros elétricos para motoristas de aplicativo. O modelo vai além do aluguel do veículo: inclui seguro, manutenção, impostos e até o carregamento da bateria, abastecida em pontos próprios da operação. A proposta é oferecer ao motorista uma ferramenta de trabalho pronta, enquanto a empresa fecha o ciclo da mobilidade elétrica com a infraestrutura que já vinha construindo no setor de energia.
“O empreendedor está sempre pensando no que pode agregar”, resumiu o diretor da Bioelectric, Lélio Marques Cavalcante, em entrevista do Pitocast, o podcast do Pitoco. Segundo ele, a ideia nasceu depois que a Bionova passou a atuar também com carregadores para veículos elétricos, somando esse braço à atividade já consolidada com energia solar. A partir daí, o grupo enxergou a oportunidade de colocar carros elétricos na mão de motoristas de aplicativo por meio de locação.
MESES DE ESTUDO
A operação começou a ser desenhada em julho de 2024. Durante seis meses, os sócios se reuniram semanalmente para estudar a viabilidade do negócio, fazer contas e entender melhor o mercado de motoristas de aplicativo. O investimento inicial exigia cautela. Cada carro custa em torno de R$ 120 mil, e um carregador rápido de 60 kW pode variar entre R$ 125 mil e R$ 150 mil. Ainda assim, a empresa decidiu avançar. Hoje, a frota em circulação soma 23 carros - 14 modelos Dolphin Mini e nove Geely EX2 - e a meta é chegar a 150 veículos ainda neste ano.
CONTA FECHA
A aposta da Bioelectric está ancorada na conta operacional do motorista de aplicativo. Lélio defende que o modelo se sustenta porque o parceiro deixa de arcar com despesas como manutenção, seguro, impostos e combustível, além de ter o carregamento incluso no aluguel semanal.
“Ele já está em atuação, muitas vezes com o veículo a combustão, pagando parcela, IPVA, seguro, manutenção e combustível. Agora, ele tem uma ferramenta de trabalho que consegue pagar a máquina e ainda sobrar um valor considerável semanalmente”, compara.
O aluguel semanal parte de R$ 1,5 mil. Em troca, o motorista recebe um carro zero, sem custo com manutenção, seguro, impostos e recarga.
ECOSSISTEMA PRÓPRIO
Um dos diferenciais do modelo está justamente em não depender apenas da locação do veículo. A empresa estruturou uma operação integrada, que conecta energia, recarga e frota.
Os motoristas carregam os carros em eletropostos ligados à rede da empresa e a gestão da operação é feita por aplicativo. Quando o veículo alugado chega ao carregador, o sistema reconhece automaticamente que ele pertence à frota da Bioelectric e libera a recarga. Pelo mesmo sistema, a empresa também monitora localização, autonomia e outras informações do carro.
A energia usada na operação vem de parceiros e clientes da Bionova que instalaram usinas fotovoltaicas.
Expansão mira outras cidades
A empresa já começou a preparar a expansão para fora de Cascavel. De acordo com Lélio, a Bioelectric tem grupos de investimento em formação para Curitiba e Foz do Iguaçu. A estratégia, segundo ele, é primeiro montar a infraestrutura de recarga e depois ampliar a operação com os veículos.
O modelo de crescimento também foi desenhado com investidores. Após o início com recursos próprios, a empresa passou a estruturar grupos de investimento para compra de veículos e carregadores. As cotas começaram em R$ 125 mil e hoje estão em R$ 250 mil.
MERCADO ACELERA
A aposta feita em Nova Aurora acompanha um mercado que cresce em ritmo acelerado no Brasil. Em abril, o País registrou 38.516 emplacamentos de veículos leves eletrificados, com participação de 16% sobre o total do mercado, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Em maio, o segmento voltou a bater recorde e chegou à marca de 45 mil unidades no mês, conforme a entidade.
Além do avanço nas vendas, a infraestrutura de recarga também se expande. O Brasil já soma 25.429 eletropostos, segundo levantamento da ABVE.
O NEGÓCIO EM NÚMEROS
23 veículos em circulação atualmente
Meta de 150 carros ainda neste ano
Aluguel semanal entre R$ 1,5 mil e R$ 1,6 mil
Motorista recebe carro zero, sem custo com manutenção, seguro, impostos e recarga
Carros na faixa de R$ 120 mil por unidade





