Portal Pitoco

Canetas emagrecedoras e perda de visão: por que pacientes com diabetes precisam de atenção redobrada?

Oftalmologista explica possíveis complicações oculares e os cuidados necessários durante o tratamento

Redação Pitoco19 de outubro de 2026
Canetas emagrecedoras e perda de visão: por que pacientes com diabetes precisam de atenção redobrada?

O uso de canetas emagrecedoras disparou no Brasil, mas a popularização desses medicamentos também levantou questionamentos sobre seus possíveis efeitos na saúde dos olhos. Segundo levantamento da Scanntech, divulgado em junho de 2026, o consumo estimado cresceu 239% no primeiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2025.

Em meio à expansão do uso desses medicamentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de perda de visão associadas ao tratamento. Do total, 12 envolvem a semaglutida, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, e uma está relacionada à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Os casos ainda estão sob investigação e não comprovam uma relação de causa e efeito.

Mas qual é, de fato, o risco para a visão? Segundo o oftalmologista do Hospital de Olhos de Cascavel, Dr. Abenor Minaré Filho, o aumento do número de usuários também torna mais frequente a identificação de efeitos adversos considerados raros. “Com o uso cada vez maior das canetas emagrecedoras, efeitos que antes eram pouco observados começam a aparecer. Estudos internacionais vêm investigando essas possíveis alterações para compreender melhor os impactos no organismo”, explica.

Uma das principais preocupações é a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA), condição causada pela redução do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, responsável por transmitir as informações visuais dos olhos ao cérebro. A alteração pode provocar perda súbita da visão, com risco de danos permanentes.

“É como se ocorresse um infarto no nervo óptico. Quando o fornecimento de sangue é comprometido, a transmissão das informações visuais ao cérebro também é afetada, podendo provocar uma perda importante da visão”, esclarece o médico.

Quando o controle da glicose afeta a visão

Outro ponto de atenção é a retinopatia diabética, doença que afeta os vasos sanguíneos da retina e pode comprometer a visão. Segundo o especialista, a redução rápida dos níveis de glicose no sangue durante o tratamento pode agravar temporariamente a condição, principalmente em pacientes que já apresentam alterações na retina.

“Quando uma pessoa permanece por muito tempo com a glicemia elevada e consegue reduzi-la rapidamente, o organismo passa por um período de adaptação. Essa mudança pode provocar uma piora temporária da retinopatia diabética, sem necessariamente representar um efeito direto da medicação sobre os olhos”, explica.

Por isso, o acompanhamento oftalmológico é fundamental para pessoas com diabetes, mesmo na ausência de sintomas. As avaliações devem ser periódicas, geralmente anuais, conforme a orientação médica.

Perda visual: quando buscar ajuda?

Embora as complicações oculares graves sejam raras, o Dr. Abenor alerta que sintomas como perda repentina da visão, embaçamento ou piora rápida da capacidade de enxergar não devem ser ignorados. Nessas situações, a recomendação é procurar atendimento oftalmológico imediato, mesmo que a alteração ocorra em apenas um dos olhos.

“Quem tem diabetes ou já apresenta alguma doença ocular precisa de atenção redobrada. O acompanhamento oftalmológico permite identificar alterações precocemente e avaliar os cuidados necessários durante o tratamento. Qualquer mudança repentina na visão deve ser investigada o quanto antes”, orienta o especialista.

O médico reforça que o uso das canetas emagrecedoras deve ocorrer sempre com prescrição e acompanhamento profissional. “Pacientes com diabetes precisam manter os exames oftalmológicos periódicos, mesmo sem sintomas, e informar ao médico responsável pelo tratamento qualquer alteração visual. A orientação é não interromper a medicação por conta própria, mas buscar avaliação médica para investigar os sintomas e definir a conduta adequada”, orienta Dr. Abenor.

Notícias relacionadas