Cascavel, Domingo, 18 de agosto de 2019

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Talissa dançou...

Cascavelense sozinha, aos 17 anos, na capital do mundo, Nova York
Postado em 04/08/2017

Por Talissa Bavaresco:

Sempre amei a dança. Comecei a dançar com dois anos e meio de idade e nunca parei. Quando cheguei aos 17 anos, terceiro ano do Ensino Médio, e vestibular era a maior prioridade, estava decidida em fazer Ciências Biológicas. Cresci em meio a natureza, ambos meus pais são engenheiros agrícolas. Amo a biologia tanto quanto a dança, mas quando chegou a hora de decidir uma carreira, meu pai me perguntou se eu não queria fazer da dança a minha vida, e não só um hobby. Foi aí que começamos a pesquisar sobre escolas de dança fora do Brasil, e encontramos a Joffrey Ballet School em Nova York, que oferecia um programa pré-profissional de jazz e contemporâneo, com duração de quatro anos. Resolvi mandar um vídeo-audição e ver o que aconteceria.

Meses se passaram e nunca ouvimos uma resposta. Nessas alturas eu já tinha passado em 6º lugar em Biólogicas na UEM, no vestibular de inverno, e em 2o lugar na Unioeste. Já tinha me esquecido da Joffrey. Até que em metade de dezembro recebi um e-mail, dizendo que eu havia sido aceita para o programa em Nova York. Foi o meu presente de Natal. Dei-me 48h para tomar uma decisão, já que estávamos em meio a datas comemorativas e toda a família estava por aí. Quando finalmente decidi que queria tentar, por seis meses, para ver como é uma vida de dança em período integral, numa das maiores capitais da indústria e do mundo, eu percebi que tinha menos de um mês para renovar passaporte e conseguir meu visto.

Esse mês passou voando. No final, eu tinha tudo em mãos e estava pronta para ir. Meus amigos estavam confusos com a pressa da situação e quando se deram conta eu estava partindo. Até perguntaram se meus pais iriam me acompanhar, mas infelizmente, com o alto preço das passagens, só dava para comprar uma. E assim me despedi da família, entrei no avião e fui sozinha, com 17 anos de idade, sem conhecer nem ter nenhum contato de alguém que pudesse me auxiliar em Nova York. Quando desembarquei, peguei um táxi até o alojamento da escola e desfiz minhas malas. Ainda não estava acreditando muito no que estava acontecendo. Tive o final de semana pra me instalar, e as aulas começaram na segunda-feira.

Os seis meses passaram e eu estava nas nuvens. Aprendi um mundo inteiro da dança que nem sabia que existia. Ganhei 100% de bolsa escolar por mérito, para continuar meus estudos, e depois de conversar com meus pais, resolvemos continuar, indo de pouquinho, revendo as finanças a cada seis meses para ver se tínhamos condições de continuar a jornada.

De seis em seis meses, quatro anos se passaram e eu me tornei a primeira brasileira a se formar no programa de Jazz e Contemporâneo da Joffrey Ballet School, em Nova York. Uma escola mundialmente renomada, extremamente seletiva com seus alunos, e com uma grande história de formação de vários dos maiores profissionais da dança.

Sou hoje uma bailarina profissional  com domínio técnico em Ballet Clássico e em técnicas de Dança Moderna como Horton, Graham e Cunningham; Teatro Musical, estilos de danças urbanas como Waacking, Vogue, Locking, Popping, Waving, Breaking, Tutting, Street Jazz; Dança Contemporânea, Jazz do Old School ao Lírico, técnicas de improvisação na dança e composição coreográfica. E também adquiri muito conhecimento de nutrição e condicionamento físico para atletas, yoga e pilates, análise crítica da dança, história da dança, música, anatomia e administração das artes.

Hoje sou um dos rostos das campanhas publicitárias da Joffrey Ballet School e também trabalho para a escola administrativamente, além de estar dançando com inúmeras companhias e profissionais em Nova York. Meus trabalhos mais recentes de 2017 foram a turnê com o companhia The Joffrey Ensemble. O vídeo-clipe do single ‘So Close’ para o artista americano Andrew McMahon in the Wilderness e participação em apresentações ao vivo no Panorama Music Festival, em Nova York.

Sou feliz em dizer que finalmente sou uma profissional na minha área e sou auto-suficiente. De qualquer forma, devo muito a agradecer aos meus pais Cesar e  Katy e a minha irmã Jessica por todo o apoio, financeiramente e emocionalmente, este tempo todo. Foram árduos quatro anos, vendo a família apenas uma vez por ano, quando com sorte, e com muitas batalhas mas também muitas conquistas. Me sinto preparada e empolgada para o que o futuro aguarda por mim.