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Logo ele, que deveria dar o exemplo

É muito provável que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva venha a ficar na história por uma série de fatores, alguns até positivos. Que o digam os que se contentam com um Bolsa Família, até porque tem gente que controla o teto de seu salário para não perder o benefício. Benefício este visto por Lula, pelo PT e pelos aliados do PT como “sistema de melhor distribuição de renda”.

Continuo achando que uma maneira mais digna de amenizar a desigualdade seria criar mais empregos. Lula prometeu 10 milhões, vai completar seus oito anos de governo e as estatísticas não testemunham essa cifra. A mídia anuncia que existe muito emprego, mas que não existe mão-de-obra qualificada para preencher as vagas. E de quem é a responsabilidade em oferecer qualificação?

As piadas sem graça, os discursos que agridem o nosso português, o egoísmo e a vaidade desmedida de Lula são coisas às quais qualquer cidadão pode estar suscetível. Porém, em se tratando da maior autoridade do País, mesmo não sendo obrigado a exercitar um comportamento sacerdotal, seria razoável manter atitudes e comportamento que não se aproximassem tanto do ridículo.

A quem admira esse tipo de comportamento, principalmente aos que vêem em Lula essa coisa toda de pai dos pobres, respeitamos, democraticamente. O fato de a maioria do povo brasileiro tê-lo guindado ao mais alto posto administrativo da Nação duas vezes, também devemos respeitar. Afinal, democracia é isso. Se paga o preço. Mas, bem que poderia ser uma coisa mais em conta e menos abusada.

Como “não há bem que dure a vida toda e nem há mal que não acabe”, a era Lula no comando está acabando. Ou seria apenas um intervalo de quatro anos, como querem alguns? E não são poucos. Tudo dependerá do próximo presidente. Olha que falei do próximo, não da próxima. Ou Deus não é mesmo brasileiro?

Na realidade, pensando bem, devemos agradecer por estarmos no Brasil. Já imaginaram se estivéssemos na Argentina, Venezuela, Bolívia, Cuba ou até mesmo no Irã de Ahmadinejad? Como Lula gostaria de estar em um desses países, que aceitam ditadores sanguinários, extremistas de todos os naipes.

Não creio que Lula tenha Hugo Chávez, Evo Morales, Fidel Castro e outros da mesma laia, apenas como seus queridos amigos. No fundo, deve ter uma ponta de ciúmes por não encontrar, no Brasil, o mesmo terreno fértil para se perpetuar no poder. Não seria justo comparar a pobreza de mentalidade dos povos desses países. Particularmente no caso da Venezuela, governada por um coronel destrambelhado, boquirroto e protetor de extremistas, como os das Farc.

Lula pode até sentir certa sede ditatorial. Mas, ciente de que por aqui não existe clima – não agora – para beber dessa água, limitou-se a uma reeleição. Nossa preocupação neste momento é com a eleição de outubro. Uma coisa é certa: Lula está encontrando dificuldades para transferência de sua popularidade à senhora Dilma Rousseff. E isso já nos proporciona um certo conforto.

Seria o caos, no caso de acontecer a eleição da candidata fabricada pelo PT e apoiada por partidos políticos e outras forças ($) privilegiadas por esse governo. Fala-se, inclusive, que Osmar Dias, no caso de não eleição, teria dificuldades para conseguir o Ministério da Agricultura, sonhado por João Pedro Stédile. Este não relutaria de cercar-se no cargo, pelos invasores e arruaceiros do MST.

 


Walter Zimermann

- Graduado em Jornalismo (Unipar), com Pós-Graduação em História do Brasil, Sociedade e Cultura Brasileira (pela mesma instituição);
- Curso de Formação Política pela Unipan/Adesg (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, V Ciclo);
- Em março de 2008, completa 50 anos de atividades no rádio. Fundador das seguintes emissoras:
Rádio Capanema (1965) e Rádio Clube Realeza (1972), ambas no Sudoeste do Estado e, Rádio União de Céu Azul, da qual é proprietário e diretor geral;
- Sócio-fundador e ex-vice presidente da AERP – Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná;
- Vereador por Capanema no período de 1969/1972.