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O Marketing da Paixão - por Soraia David
De tudo o que escrevem por aí sobre o amor, não concordo apenas com uma
coisa: ele não é fortuito.
Cansamos de ler crônicas e ver filmes onde casais se esbarram em filas
de supermercados ou se entreolham em sinais de trânsito, sendo
acometidos, de súbito, pela paixão. É o marketing do século: o amor
inventado por roteiros de comercias e novelas. Dá um trabalhão manter a
serenidade depois de ver algo assim! Mais complicado ainda é disciplinar
a mente e processar que a realidade exige muito mais de nós, mulheres e
homens em busca do ideal de amor. Mas o que é que buscamos mesmo?
Arnaldo Jabor não soube responder à questão levantada por Roseli Sayão
há 4 anos. “O que a mulher busca em um homem?” Seu modesto silêncio foi
interpretado como sinal de sabedoria. Talvez seja isso. Devemos nos
manter calados ante tais interpelações. Mas mulher é bicho inquieto e
alguma coisa aqui dentro teima em repetir a pergunta, estendendo-a
também ao sexo oposto – E o homem, o que busca em uma mulher? Não, pelo
amor de Deus não respondam que procura apenas sexo, seria óbvio demais –
por mais que o óbvio precisa ser dito - a natureza os fez muito mais
exigentes do que uma rápida análise possa mostrar. Estudos
antropológicos, psicológicos, de toda sorte e especificidades acabam por
rotular sempre o homem como a figura do macho, criado e educado para
cumprir suas funções de provedor e conquistador. Passam-se décadas e a
mulherada inverte um pouco a situação, conquistando mais que um
respeitável lugar no mercado de trabalho, chamando para si
responsabilidades que outrora lhe eram inimagináveis. É. Os tempos
mudaram. Mas e a essência humana... Mudou também ou apenas acompanhou as
“estranhezas” do tempo? O que realmente queremos além de pagar nossas
próprias contas e ser dona do próprio nariz? Que nariz, cara-pálida? A
mulher moderna é dona de seu próprio (?) bumbum (mesmo que seja
siliconado), de seus peitos – milimetricamente planejados e de suas
expressões faciais, congeladas pelo milagre da ciência que retardou os
efeitos do tempo... Quanta bobagem! Fico me perguntando até quando
buscaremos a eterna fonte da juventude para manter o marketing do século
– aquele, do início do texto, que trata da paixão e do amor prontos, que
podem ser adquiridos na padaria da esquina ou na mesa de um bar,
enquanto bebemos com amigos. Acreditar que nossas vidas possam ser
mudadas da noite para o dia em virtude de outra pessoa, é atrasar o
relógio da própria felicidade. Que tal aproveitar melhor seus momentos
com as pessoas que estão aí, pertinho de você, enriquecendo seu
cotidiano com suas presenças alegres e contagiantes? Dê um tempo para o
amor. Com um pouco de sorte, ele pode chegar mais tarde ou quem sabe,
simplesmente retornar com outra roupagem.
Soraia David Mrosk - É bacharel em Direito e comunicadora -
tudodebompr@gmail.com
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