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SEJA BEM-VINDO, GOVERNADOR PESSUTI...
O povo paranaense está
irradiante de alegria e felicidade, de legítimo direito, por dois
motivos: está alegre porque tem o novo governador Pessuti e está alegre
porque não tem mais o mesmo governador Requião. E tem lá seus bons
motivos para gozar plenamente esta alegria em dose dupla.
A partir do dia 31 de março, o Paraná tem outra imagem: os semblantes do
rosto da democracia. Podemos afirmar que Requião e Pessuti são dois
políticos de estilos distintos e opostos, embora do mesmo partido.
Consciente do risco de inferir diferenciação onde alguns outros poderão
ver similitude, vou traçar e perfilar as diferenças que vejo e o sentido
e significado profundos que percebo e sinto neste novo “estado” do nosso
Estado. A primeira distinção está estampada na imagem rostificada e
corpórea de cada um dos dois. Vamos chamar de elementos de expressão
externa do ex-governador Requião e do governador Pessuti.
Um é o rosto sisudo, que revela o problema da seriedade: o cenho
carregado, os olhos fulminantes e apavorantes, o rosto circunspecto pela
tensão, carregado de intimidação, pronto para o ataque ou para a defesa.
Um convite ameaçador à subordinação em atitude perene de
indiscutibilidade. Há uma obstinação pelo pronto, pelo decidido de um
único polo já concluído, acabado. Uma atitude permanentemente ameaçada e
por isso ameaçadora. De fala absoluta e monológica, sem espaço e lugar
para a voz do outro. Uma polifonia de uma única voz de tom grave. Não há
lugar e tempo para o diálogo. Um corpo obtuso e fechado para o outro, de
criação própria. Uma identidade assumida e responsiva. Não sorri nunca,
nem nos momentos de vitórias.
Outro é o rosto do riso ridente. Riso alegre, festivo e familiar. O riso
do governador Pessuti é convidativo ao diálogo, à liberdade, à
igualdade. É um riso democrático. Aberto para o outro. Não existe
inimigo, apenas adversário concorrente. Um corpo receptivo e aberto para
o outro. Há lugar, espaço e tempo para a polifonia de múltiplas vozes.
Consonantes e dissonantes.
A história de vida, rememorada na solenidade de posse, foi narrada em
tom emocionante. A cantoria em solo e coro da música caipira não trai as
raízes da vida da roça. À sua história de família humilde do campo é
necessário agregar a trajetória da vida política. Um tanto longa. Você
mesmo disse que assistiu e participou da posse de dez governadores do
Paraná. A décima posse foi a sua própria. Acho, governador Pessuti, que
a sua história política confunde-se com a história do MDB e do PMDB do
Paraná. Primeiramente, com o MDB, chamado por alguns com certo
saudosismo de “velho MDB, bom de guerra”. É verdade. O MDB da
resistência ao regime ditatorial e do nascedouro do movimento pela
democratização do país. No Paraná, o MDB e depois o PMDB foram
hegemônicos naquele movimento histórico.
A elaboração das diretrizes do governo José Richa nasceu e se constituiu
no mais democrático e significativo programa de governo daquela
conjuntura brasileira. A democracia do PMDB do governo Richa foi para
além do Paraná. Era uma democracia substantiva, pois além de contar com
a participação dos diversos movimentos populares, agentes sociais e
partidos políticos de oposição ao regime ditatorial, era uma democracia
alegre, sorridente, “um ônibus onde cabiam todos os que queriam uma
sociedade mais justa e igualitária”. Pena que nos governos subsequentes,
do próprio PMDB e do PFL, o compromisso com a democracia não tenha sido
preservado. Ora tivemos uma gestão centralizadora personalística; ora,
uma gestão autoritária. Pelos caminhos da centralização tecnocrática e
do autoritarismo perdeu-se a substância democrática.
Este é o momento único para o resgate da democracia no Paraná. É certo
que em nove meses não é possível recuperar o que foi perdido durante
mais de duas décadas. Entretanto, para quem vivenciou e exerceu as
funções da política democraticamente por toda vida será uma missão nobre
constituir e vivenciar um governo democrático na sua substância. A
participação, ainda que representativa, é uma condição essencial para a
democratização do Paraná.
Por fim, senhor governador Pessuti, há um caso especial para o oeste do
Paraná que precisa de atenções especiais do seu governo: a
democratização da Unioeste. Foram praticados dois golpes na Unioeste
pelo mesmo governador, ao nomear o reitor não eleito pela comunidade
universitária. Foi quebrado o princípio da democracia na instituição que
mais estuda e entende de democracia: a Universidade pública. A
democratização da Unioeste é uma questão de ética política.
JOSÉ
KUIAVA é mestre em Educação e professor da Unioeste.
E-mail:jose.kuiava@gmail.com |
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