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Limites no Sofrimento

Muitos pais procuram alternativas para evitar que seus filhos tenham sentimentos de tristeza, solidão, vazio e decepção. Criam a ilusão de querer dar aos filhos o que não tiveram, ou não querer que os filhos passem pelas privações que passaram... delicada ilusão!

Tentem os pais evitar ou não, inevitavelmente os filhos terão estes sentimentos, pois eles são inerentes aos seres humanos. Se sentir frustrado, errar, perder, fracassar, ser rejeitado, ter desejos não satisfeitos, etc. são experiências que caminham junto com o crescimento; e é difícil aceitar a limitação de que não podemos ser sempre o mais inteligente, o mais bonito, o mais divertido, o mais querido, e ainda ter o namorado mais desejado.
Se os pais evitam o contato da criança com essas situações, ela não aprende a enfrentá-las, ficando limitada na possibilidade de criar recursos internos para lidar com seus sentimentos. Como conseqüência, torna-se um adulto frágil e acuado diante das adversidades, afinal, para quem nunca aprendeu a lidar com um não ou com a rejeição de um pedido, qualquer pequena pedra no caminho se tornará um grande obstáculo.

Ao contrário, os pais podem ajudar os filhos a entender e aceitar o sofrimento como algo que faz parte da vida. Assim, a criança aprende que suas vontades nem sempre podem ser gratificadas; aceita limites com mais tranqüilidade; e controla seus comportamentos, pensando antes de agir. Como conseqüência, cria recursos para enfrentar as situações de sofrimento quando elas vierem, visto que o saudável é ter a capacidade interna de tolerar as dores inevitáveis do viver, sem ter que recorrer a recursos externos, como as drogas por exemplo.

 


Camila Colombo - É psicóloga.