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Cinismo, mentiras e
videoteipe
Faz parte do figurino dos programas
eleitorais na TV um partido divulgar seus feitos e proclamar as
realizações governamentais. O Partido dos Trabalhadores usou
recentemente a maior parte do seu tempo no horário partidário para
atacar governos anteriores.
A partir de agressões estapafúrdias e mentirosas, os marqueteiros do PT
colocaram no ar uma série de mentiras e meias verdades com o objetivo de
disseminar a dúvida e desacreditar seus opositores.
A técnica não é nova e se tornou recorrente ao longo da gestão do
presidente Lula. Sem qualquer sutileza, o programa do PT na televisão
descambou do triunfalismo exacerbado para a mentira deslavada,
resvalando pelo cinismo.
O esforço vil para semear a discórdia entre brasileiros e impingir ao
governo passado sentimento de desapreço aos nordestinos foi algo
inusitado em matéria de veiculação pela mídia eletrônica. Em nenhuma
ação do Governo que antecedeu Lula, pode-se perceber menosprezo à
região, muito menos aos seus moradores. O separatismo artificial não
resiste ao mais superficial teste de veracidade. Nem mesmo a ambição
desmedida por uma vitória eleitoral pode justificar esse tipo de
comportamento.
Em que pesem minhas considerações sobre o desvirtuamento do programa
partidário (legalmente destinado ao proselitismo programático), a
utilização eleitoreira não seria algo inédito. Essa, portanto, não é a
questão. O essencial é a utilização da mentira como arma.
“O Governo passado foi servil aos estrangeiros”. Mas que servidão é essa
propagada pelo PT na condução da política externa do Governo Fernando
Henrique Cardoso? Na verdade, submissão está patente agora, por exemplo,
em relação à Bolívia, quando um patrimônio extraordinário do Brasil foi
entregue àquele país, e nas relações com a Venezuela. Nesse
relacionamento diplomático com aprendizes de ditadores na América Latina
há, sim, um viés de servidão inegável.
A chamada televisiva sobre o comando do PAC – “14 mil obras em
execução”, foi mais uma inverdade transmitida em horário nobre. O
revolucionário “programa administrativo” do Governo Lula é o campeão dos
superfaturamentos de obras, conforme aponta o Tribunal de Contas da
União.
O PT também anunciou no programa de TV a construção de um milhão de
casas. Esqueceu que o próprio Presidente já havia declarado que não
teria condições de entregá-las durante o seu mandato. Mais uma vez, ele
fez cortesia com o chapéu alheio: anunciou um programa que não
executará, delegando a outros a responsabilidade de cumprir as suas
promessas.
Outra tergiversação do Partido dos Trabalhadores na TV foi lançar mão do
pré-sal como se fosse uma conquista do atual Governo. Mas há trinta
anos, a Petrobras investe nas pesquisas em águas profundas. O Presidente
Itamar Franco, por cautela, preferiu não divulgá-las, como o Governo que
o sucedeu. Ao contrário, o Presidente Lula, de forma espetaculosa,
anunciou o pré-sal como uma conquista capaz de resolver todos os
problemas do País.
Faço apenas referências pontuais sobre essas questões, enfatizando a
tentativa medíocre e oportunista do PT de apagar da memória coletiva da
Nação feitos de outros governos.
A despeito de ter se posicionado contra o Plano Real e a Lei de
Responsabilidade Fiscal, o presidente Lula se apropriou indevidamente do
mérito da conquista da estabilização da economia, ignorando que o seu
governo colhe os frutos da ação competente que se desenvolveu àquela
época, até mesmo no campo das políticas sociais.
O Plano Real foi o maior feito da administração pública contemporânea do
Brasil. Representou a reabilitação da capacidade de planejar do País, do
povo e dos governos.
O programa do PT usou a mentira como arma ferina para agredir os
adversários, deixando de prestar contas à população dos quase sete anos
de gestão.
Senador Alvaro Dias – 1º vice- líder do PSDB
www.senadoralvarodias.com
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