Há muita confusão sobre a história de
Cascavel porque pelo menos três incêndios e um sumiço devoraram
nacos importantes dos registros preservados.
O primeiro incêndio se deu em dezembro de 1960, quando a Prefeitura
de Cascavel foi criminosamente incendiada. Lá se foram as primeiras
leis municipais e antigos documentos do distrito. Alguns se salvaram
por haver cópias na Prefeitura de Foz do Iguaçu. O segundo, em
setembro de 1968, quando o Fórum da Comarca foi destruído e lá se
vai nossa memória jurídica, escapando só o que d. Aracy Biazetto
guardou em sua casa, onde funcionava o Cartório do Distribuidor. O
terceiro, a queima de uma ala do Arquivo Público do Estado, em 1989,
justamente onde havia material referente a Cascavel.
O sumiço se deu quando um pesquisador da história regional
desapareceu para lugar incerto e não sabido com os manuscritos de
Sandálio dos Santos. Felizmente seu amigo Alípio de Souza Leal
transcreveu algumas dessas anotações, publicadas por deferência do
filho Mamede Leal no antigo jornal Fronteira do Iguaçu que, aliás,
também sucumbiu a um incêndio.
Não me atrevo a dizer que os quatro incêndios estejam relacionados
com o objetivo de semear a confusão sobre a história desta parte do
Brasil, mas, enfim, arquivos foram queimados. Por isso, não é por
sacanagem ou má intenção que alguns acadêmicos derrapam
terrivelmente em suas avaliações. São levados a equívocos por
suposições, conclusões apressadas ou falta de dados.
A cidade de Cascavel, origem do atual centro-polo do Médio-Oeste
paranaense, começa em 28 de março de 1930, quando José Silvério de
Oliveira, o Tio Jeca, tal qual ficou conhecido no final de sua vida,
em 1966, veio para a chamada Encruzilhada dos Gomes depois da
derrota da Aliança Liberal.
Cascavel era, no final do século XIX, um rio e um pouso ervateiro
que os soldados revolucionários paulistas e um batalhão governista
encontraram entre agosto de 1924 e abril de 1925, no curso da
Revolução Paulista. Por essa época, o lugar estava deixando de ser o
antigo pouso para se tornar uma propriedade rural, adquirida junto
ao governo do Estado e seus controladores por uma família
catarinense que tinha Antonio José Elias como patriarca.
Na Encruzilhada dos Gomes, a cidade de Cascavel foi idealizada por
Tio Jeca e concretizada pelo prefeito de Foz do Iguaçu, Othon Mäder,
que em 1936, já de volta ao governo do Estado, aprovou como
burocrata estadual o pedido que havia feito como prefeito de Foz.
Coisas da revolução de 30!
Distrito de Foz que se emancipa em 14 de dezembro de 1952, data de
sua instalação, Cascavel completa neste março de 2010 mais um
importante aniversário desde o início de sua formação urbana: 80
anos.
Por isso, deixo um feliz aniversário aos cascavelenses que realmente
amam esta terra e não deixam seu povo passar necessidades. Pois quem
deixa o povo passar necessidades não ama a terra, nem sua gente.
Pisoteia a terra, pisoteia a gente.